A AUTORIDADE...
«Temos de ser livres para podermos ser, completamente, uma luz para nós mesmos. “Uma luz para nós mesmos!” Essa luz não nos pode ser dada por outra pessoa nem a podemos acender na vela de outra pessoa. Se a acendermos na vela de outra pessoa, é apenas uma vela que pode ser apagada. A própria investigação para descobrir o que significa sermos uma luz para nós mesmos faz parte da meditação. Investiguemos juntos o que significa sermos uma luz para nós mesmos e vejamos como é extraordinariamente importante ter esta luz.
«O nosso condicionamento leva-nos a aceitar a autoridade – a autoridade do sacerdote, a autoridade de um livro, a autoridade de um guru, a autoridade de alguém que diz saber. Em todos os assuntos espirituais, se é que podemos usar essa palavra, “espiritual”, não pode haver qualquer autoridade; caso contrário, não podemos ser livres para investigar, para descobrir por nós mesmos o que significa meditação. Para abordar a questão da meditação, temos de estar completamente, interiormente, livres de qualquer autoridade, de qualquer comparação, incluindo a autoridade de quem fala, especialmente a de quem fala, porque, se obedecermos ao que nos dizem, tudo acaba. Temos de estar cientes da importância da autoridade do médico, do cientista e compreender interiormente a total irrelevância da autoridade, seja ela a autoridade de outrem ou a autoridade da nossa própria experiência, conhecimento, conclusões, preconceitos. As nossas experiências, a nossa compreensão, também se tornam a nossa própria autoridade - «Eu entendo, logo tenho razão». Estas são formas de autoridade das quais temos de estar cientes. Caso contrário, nunca poderemos ser uma luz para nós mesmos. Quando somos uma luz para nós mesmos, somos uma luz para o mundo, porque o mundo somos nós e nós somos o mundo.
«Assim sendo, não existe ninguém para nos guiar, ninguém para nos dizer que estamos a progredir, ninguém para nos encorajar. Temos de estar completamente sozinhos na meditação. E essa luz interior apenas pode surgir quando investigamos dentro de nós aquilo que somos. É autoconhecimento, saber o que somos. Não de acordo com psicólogos, não de acordo com alguns filósofos, não de acordo com quem nos quer dizer, mas sabermos, estarmos cientes da nossa própria natureza, do nosso próprio pensamento, sentimento, descobrir toda a nossa estrutura. O autoconhecimento é extraordinariamente importante. Não a descrição dada por outra pessoa, mas sim «o que é», aquilo que somos; não o que pensamos que somos ou o que pensamos que devíamos ser, mas o que realmente está a acontecer.»
(In “A LUZ DENTRO DE TI”, de Jiddu Krishnamurti, alma dos livros, págs. 143 e 144)
Benavente, 19.08.2026
- Victor Rosa de Freitas -

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