sexta-feira, julho 17, 2026

A IGREJA, O PECADO ORIGINAL, CRENTES E ATEUS…

 «Em todo o tempo, a meta principal da Igreja foi tornar o homem o mais desgraçado possível, daí a ideia do pecado e da culpabilidade, para criar uma raça de escravos e de castrados de pensamento. Assim, tolhida a sua liberdade de pensamento, torna-se presa fácil e maleável nas mãos da Igreja.

«Veja-se a teoria do pecado original que só apareceu em finais do século IV, princípios do século V, com Santo Agostinho, que numa controvérsia com o monge Pelágio da Bretanha, enquanto este negava o pecado original e a corrupção da natureza humana, Santo Agostinho mantinha que o pecado original de Adão foi herdado por toda a humanidade e que, mesmo que o homem caído retenha a habilidade para escolher, ele está escravizado ao pecado e não pode não pecar.

«Ainda dentro da mesma controvérsia, Pelágio insistia que a queda de Adão afectara apenas Adão, e se Deus exige das pessoas que vivam vidas perfeitas, ele também dá a habilidade moral para que elas possam fazê-lo e embora considerasse Adão como «um mau exemplo» para a sua descendência, as suas acções não teriam consequências para a mesma, sendo o papel de Jesus definido pelos pelagianos como «um bom exemplo fixo» para o resto da humanidade (contrariando, assim, o mau exemplo de Adão), bem como proporciona uma expiação pelos seus pecados, tendo a humanidade em suma, total controlo pelas suas acções.

«Posteriormente, Pelágio reivindicou que a graça divina era desnecessária para a salvação, embora facilitasse a obediência, ao passo que Santo Agostinho manteve ferozmente a sua posição. Santo Agostinho defendia mesmo que o pecado de Adão e Eva (pecado original) se transmitia pelo sémen!

«As sentenças pronunciadas pelo papa Inocêncio I contra a tese do monge pelágio acabaram por classificá-la como heresia.

«A DOUTRINA DO PECADO ORIGINAL É UMA IDEIA QUE AINDA HOJE PERDURA NA CABEÇA DE MUITA GENTE.

«O temor dos castigos eternos, prometidos para os que se insurgem contra os ensinamentos da Santa Igreja, impede o homem crente de duvidar sequer do que a mesma lhe incute no espírito como verdade.

«Só o homem que consegue vencer a barreira do temor e da ignorância goza realmente de uma liberdade plena que poderá torná-lo feliz.

«Apesar de haver uma acentuada liberalidade existente em nossos dias, ainda é pequeno o número dos que sacodem o jugo opressor, libertando-se da tutela hostil e interesseira da Igreja, dos seus dogmas e vãs promessas. E é bem menor ainda o número dos que têm a coragem de proclamar em altas vozes o seu pensamento, liberto dos preconceitos religiosos que subjugam o homem.

«O ateu é assim chamado porquanto não crê em Deus. Etimologicamente, “Theos”, do grego, significa Deus. Anexando-se o prefixo “a”, o qual indica ausência ou negação, teremos ateu, isto é, sem Deus.

«No mundo moderno onde vivemos, no qual impera a razão, a lógica e o conhecimento científico, não nos é possível estabelecer a diferença essencial entre ateus ou crentes.

«Os que acreditam num Deus materializável, prosternando-se e orando diante dos seus altares, nos seus templos, são também verdadeiros ateus. Apenas desse facto não se dão conta.

«Este aparente paradoxo ocupará as linhas que se seguem.»

(In “JESUS CRISTO – UM MITO CRIADO PELOS AUTORES DO NOVO TESTAMENTO”, de José Álvaro da Silva Marques, chiadobooks, págs. 39 a 41)

Benavente, 17.07.2026

- Victor Rosa de Freitas -



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