A HISTÓRIA DA VIRGEM MARIA...
«O que nos conta o Novo Testamento sobre a mãe de Jesus é algo que não poderia ser praticado por humanos – na época – mas sim por uma personagem com poderes para tal. Uma mulher não poderia ter filhos se fosse virgem, assim pensavam as pessoas daquela época – hoje em dia é possível devido à inseminação artificial. Segundo está escrito em manuscritos antigos, sempre recusados pela Igreja Cristã, Maria estaria grávida e solteira, o que era e ainda é em alguns países do nosso planeta um sacrilégio, e como tal, deveria ser castigada pelo seu ato, como se de um crime se tratasse. Nestes casos, apenas as mulheres eram castigadas, mesmo que tivessem sido violadas, como se fossem responsáveis pelo que lhes acontecera.
«Era hábito nessa época castigar essas mulheres com apedrejamentos que poderiam ir até à morte, tudo praticado pelo povo numa espécie de justiça popular, como se as pobres mulheres fossem criminosas, mesmo que a gravidez tivesse resultado de violação. Este terá sido o caso de Maria, que foi confrontada pela fúria popular, mas que em determinado momento, um homem de nome José interferiu, dizendo que assumiria a paternidade do filho que Maria trazia no seu ventre. Esta era a única forma das mulheres nestas situações escaparem ao castigo que lhes estava destinado. Mas segundo os mesmos manuscritos a fúria popular não esmoreceu com este ato humanitário, tendo o povo continuado a injuriar a pobre Maria. É neste contexto de intimidação e injúrias que José terá tido o «dito sonho» em que o anjo lhe anuncia que o filho de Maria era filho de Deus. A notícia de que o filho de Maria era filho de Deus, levaria de vez o povo a desmobilizar das suas calúnias sem justificação.
«A ideia de classificar determinadas crianças como filhos de um deus era uma prática dos povos antigos. Os antigos Gregos tinham os seus heróis mitológicos, que eram filhos de deuses e de mulheres terrestres. Rómulo e Remo, os fundadores de Roma, eram filhos de uma sacerdotisa vestal de nome Reia Sílvia. As sacerdotisas de Vesta eram virgens, e como tal, não podiam engravidar, tendo como castigo, se tal acontecesse, serem enterradas vivas. Perante um final tão aterrador, Reia terá dito que a sua gravidez era fruto da relação com o deus Marte, escapando assim a um fim terrivelmente trágico, que não ficava atrás de ser apedrejada até à morte.
«Ao revelar o sonho em que um anjo de Deus lhe confirmava que o filho de Maria era filho de Deus, José acabava de vez com as perseguições por parte do povo a Maria. José, que é pouco falado na religião católica, foi um verdadeiro herói que salvou uma vida humana, dos arcaicos e demoníacos comportamentos dos povos da Antiguidade, que consideravam as mulheres seres inferiores, responsáveis pelos erros dos homens. Ainda hoje em dia existem países onde as mulheres são tratadas como Maria, embora os apedrejamentos sejam raros; raros sim, mas não inexistentes.
«Este relato, que parece existir em documentos que a igreja recusou, é bem mais realista e lógico, e de fácil compreensão do que os tradicionais, mas infelizmente parece haver receio em se estudar sem preconceitos os grandes mitos da religião, como se ainda vivêssemos nos tempos em que a morte era o castigo para quem se atrevesse a questioná-los. Esta terá sido a verdadeira história de Maria, que não nos é contada e que deu origem a uma das religiões mais seguidas no nosso planeta.»
(In “O Livro do Conhecimento Universal”, de Arlindo M P Valério, LISBON INTERNATIONAL PRESS, págs. 381 a 383)
Benavente, 08.04.2026
-
Victor Rosa de Freitas -

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home