REGRAS SOCIAIS E LIBERDADE...
«As regras sociais parecem ser uma necessidade básica para os seres humanos, no entanto, nenhuma sociedade alguma vez ajudou o homem a realizar-se a si mesmo.
«Entre tudo o que existe, só o homem é que precisa de regras, mais nenhum animal precisa de regras.
«Nas regras há alguma coisa de artificial, pois o homem precisa delas devido ao facto de ter deixado de ser um animal, mas, apesar disso, não se tornou um ser humano, estando no limbo, e daí, a necessidade de todas as regras. Se ele fosse um animal, não teria essa necessidade, pois os animais vivem perfeitamente bem sem regras, constituições, leis e tribunais. Se o homem se tornar realmente humano – não só de nome, mas de facto – ele não precisará de regras. Muito poucas pessoas perceberam isso até agora, como foi o exemplo de Sócrates, Zaratustra e Siddharta Gautama, para os quais não houve necessidade de nenhumas regras, porque estavam suficientemente alerta para não causar mal a ninguém. Se toda a sociedade evoluir para se tornar autenticamente humana, haverá amor, mas não haverá lei. O problema é que o homem precisa de regras, leis, governos, tribunais, exércitos, forças policiais, porque ele perdeu o comportamento natural de um animal e ainda não adquiriu um novo estatuto natural, estando apenas no meio.
«Entretanto as forças que se desenvolveram para controlar o homem – religiões, Estados, tribunais – cresceram poderosamente. O poder teve de lhes ser dado, pois de outra maneira, como poderiam controlar as pessoas? Por isso, nós sentimos uma espécie de escravidão em nós mesmos. E agora que estas instituições se tornaram tão poderosas, não querem largar os direitos que adquiriram e não querem que o ser humano evolua. Se o indivíduo evoluir, a sociedade dissolve-se e a sociedade só existe porque o indivíduo não tem permissão para evoluir. Todos estes poderes têm estado a controlar o homem ao longo de séculos, gozando de autoridade e prestígio. Por isso, não estão dispostos a deixar o homem evoluir, a deixar o homem crescer ao ponto de eles e as suas instituições se tornarem inúteis.
«A única solução é começar a desenvolver silenciosamente a própria consciência, o que nenhuma força pode impedir. Mas liberdade não significa caos, mas mais responsabilidade, tanta que ninguém precisa interferir na nossa vida, pois o crescimento começa por nós próprios. Quanto mais livres nos tornamos, mais responsabilidade vem ter connosco e, por isso, temos de estar alerta para aquilo que estamos a fazer e para aquilo que estamos a dizer.
«A liberdade não tem nada a ver com o exterior. Uma pessoa pode ser livre mesmo numa prisão. A liberdade é algo interior e é um privilégio da consciência.»
(In “AÇÃO, REAÇÃO E FALTA DE AÇÃO”, de Pedro Garção, Primeiro Capítulo, págs. 56 a 58)
Benavente, 16.03.2026
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Victor Rosa de Freitas –

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