segunda-feira, março 30, 2026

O IMPÉRIO CHINÊS...

 «Durante séculos, o território que hoje compõe a China estava dividido em cerca de 100 estados, cada um governado pelo seu próprio rei, guerreando-se entre si, conquistando-se uns aos outros em confrontos sangrentos, onde morriam milhares de soldados em cada batalha. Nesta época conturbada, em todos os estados era obrigatório o serviço militar, motivado pela necessidade de se protegerem. Quando alguém era suspeito de traição, toda a sua aldeia ou família era morta em represália, uma prática assassina que todos os estados seguiam.

«Por volta de 220 a.C., havia apenas 6 estados independentes que tinham conquistado outros e expandido os seus territórios. Um deles, o império Qin, derrotou os últimos reinos e territórios independentes e uniu toda a China num único reino governado pelo príncipe Zheng, que se intitulou como o primeiro imperador dos territórios unidos, tomando o nome de Qin Shihuang. Este primeiro imperador ficaria conhecido pela sua governação sanguinária e brutal, pela sua insistência em procurar a imortalidade, pela construção do seu mausoléu, que é o maior em todo o mundo, superando mesmo as pirâmides egípcias, e pelo famoso exército de terracota que contém milhares de réplicas de guerreiros à escala natural.

«Este imperador mandava matar e torturar qualquer pessoa que pretendesse derrubá-lo do poder ou simplesmente se se queixasse da sua governação. Os castigos que passavam por torturas atrozes, podiam culminar com a morte por estrangulamento, desmembramento ou serem atirados para caldeirões de água a ferver, uma das práticas mais hediondas e cruéis de castigar opositores no mundo antigo. As perseguições aos seus supostos opositores eram aplicadas a toda a sua família, até aos primos, com filhos, netos e sobrinhos a serem mortos de forma cruel e implacável.

«O Império Chinês chegou até aos dias de hoje com poucas alterações geográficas, sendo dominado pelo Império Mongol durante perto de 100 anos, mas as suas governações foram sempre feitas com mão de ferro, sem margem para grandes liberdades, algo que ainda hoje acontece. Este velho império, que hoje tenta conquistar o mundo economicamente, continua a não dar liberdade e livre pensamento ao seu povo, mantendo-o reprimido e acorrentado às ideologias do passado, com um misto de superioridade e prepotência, ignorando o seu maior filósofo e um dos maiores do mundo antigo, Confúcio, que apelava à igualdade, harmonia e boa governação por parte dos reis e imperadores.»

(In “O Livro do Conhecimento Universal”, de Arlindo M P Valério, LISBON INTERNATIONAL PRESS, págs. 155 e 156)

Benavente, 30.03.2026

- Victor Rosa de Freitas –

 


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