JESUS E A CURA PELA COMPAIXÃO ESPIRITUAL…
«No contexto da moderna ciência e tecnologia, a forma como Jesus lida com a doença pode parecer estranha. Com uma palavra ou toque, ele expulsa a doença como se ela fosse um espírito invasor. Não trata a doença com um problema de micróbios ou de fisiologia, mas como uma condição espiritual.
«A forma de Jesus curar é por vezes explicada como uma resposta a problemas que são psicossomáticos (o corpo afeta a psique) ou psicogénicos (doença causada pela psique), uma forma moderna de compreender os seus poderes de cura. Mas os Evangelhos pedem-nos que reimaginemos a doença e a cura como uma questão de alma e de espírito. Talvez nós também pudéssemos curar milagrosamente se nos dirigíssemos, da mesma maneira, à pessoa integral.
«Durante dois anos, fiz visitas mensais como consultor de Saint Francis Hospital, em Hartford, Connecticut. Juntamente com o capelão e o chefe de serviço de medicina integrativa, entrevistei funcionários por todo o hospital, bem como pacientes e suas famílias. Todos me disseram que este hospital se destacava pela especial atenção dedicada aos pacientes. Os pacientes disseram-me que se sentiam sempre como verdadeiras pessoas, e não apenas como mais um corpo que precisa de ser tratado. Perguntei qual era a fonte desta atitude singular e falaram-me das freiras católicas francesas que tinham fundado o hospital. Li a história delas e descobri que estavam simplesmente a implementar os ensinamentos do Evangelho. Estavam a curar, e não apenas a fazer trabalho técnico.
«Como terapeuta, vi muitas pessoas melhorarem fisicamente e em todas as suas outras dimensões graças apenas a uma conversa íntima e aberta. Não as julgo e não lhes digo como devem viver. Escuto-as e, no seu sofrimento, acolho-as no seio da espécie humana. Todos nós sofremos. Eu ajudo-as a ver a sua dor com algum distanciamento, e rio-me com elas das queixas de todos nós e de como aspiramos a uma vida ideal. Não duvido de que o corpo possa ser curado através da compaixão espiritual.»
(In “ESCREVER NA AREIA”, de Thomas Moore, estrela polar, págs. 92 e 93)
Benavente, 09.01.2026
Victor Rosa de Freitas -

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