A PASSAGEM DA VIDA PARA A MORTE…
«A perda da saúde condiciona a angústia e o medo. Lembremo-nos de que todo o medo, por mais banal que seja, é o medo da morte e provocado pelo ego, uma vez que, por ter origem material, a morte implica o seu desaparecimento.
«O medo da morte deve-se a quatro fatores:
«1) A passagem da vida para a morte costuma ser incómoda, dolorosa, angustiante e de grande solidão.
«2) A morte representa uma passagem para uma zona desconhecida devido à grande ignorância existente. Pode comparar-se a pedir a uma criança que entre numa sala escura. A recusa da criança em entrar deve-se ao medo do escuro, ela não sabe o que vai encontrar e quais os possíveis perigos que existem.
«3) Com a morte, perdemos família, amigos e, claro os bens materiais pelos quais lutámos tanto e, diria mesmo, pelos quais desperdiçámos a nossa vida. Chegámos sem nada e partiremos sem nada.
«4) Temos um instinto de conservação muito forte que nos fixa e mantém na vida.
«O medo da morte só é eliminado quando temos a certeza de que a morte não é o fim, ao conhecermos a realidade da existência do ser humano. Aqueles que descobriram a sua verdadeira identidade, a Supraconsciência, consideram a morte uma libertação, ao abandonarem o traje material que é o corpo.
«Enquanto virmos a morte como uma inimiga, lutaremos sempre por evitá-la e nunca a aceitaremos. Será um tabu. Temos de estar cientes de que a morte não é o oposto da vida, mas, sim, parte dela.
«Quanto mais cientes formos da realidade da morte, mais aproveitaremos o tempo e perderemos a pressa e a aceleração, tão típicas da nossa sociedade. Aprendemos a viver sem a pressão do tempo. Não esqueçamos que o medo de morrer não é o medo da morte, mas o medo de não ter vivido. O conceito de tempo limitado que temos condiciona o medo da morte. A morte significa passar para uma dimensão onde o tempo é eternamente presente. Tiremos a máscara e vivamos intensa e autenticamente de acordo com a nossa Supraconsciência.
«Quem não descobriu a Supraconsciência é levado pela morte a um vazio total, sem identidade. Para quem conhece a sua verdadeira identidade, morrer é despertar para uma situação muito melhor.
«A morte está sempre presente, mesmo que não estejamos cientes dela.
«Compreender a morte é a maior lição que aprendemos na vida. Descobrimos que somos consciência num corpo físico temporário. Enfrentamos a vida de forma mais intensa quando estamos cientes da sua finitude.
«O medo da morte é algo irracional, dentro da ciência materialista. Como podemos considerar a morte como algo mau antes de termos passado por ela?
«O psiquiatra e psicólogo suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) exprimiu maravilhosamente o conceito de morte após vivenciar uma EQM em 1944, na sequência de um ataque cardíaco. Explicou que pensamos na morte como a coisa mais terrível porque ainda não passámos por ela: quando a experienciamos, sentimos tanta paz e bem-estar que não queremos mais sair dela (Jung, 2021).
«A declaração de Jung implica que a consciência sobrevive à morte, um aspeto que o materialismo do método científico nunca poderá definir.
«Podemos morrer conscientemente de forma criativa? Isso só é possível quando se compreende que a verdadeira natureza da realidade é a consciência, eliminando o afeto ou o apego ao material e alcançando a libertação do domínio do ego ao descobrir a Supraconsciência com o desaparecimento do dualismo.
«Os momentos finais da vida, se estivermos conscientes da realidade existencial, são enfrentados com paz, alegria e serenidade.»
(In “EGO E SUPRACONSCIÊNCIA”, de Dr. Manuel Sans Segarra, Planeta, págs. 43 a 45)
Benavente, 20.01.2026
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Victor Rosa de Freitas -

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