terça-feira, janeiro 20, 2026

A PASSAGEM DA VIDA PARA A MORTE…

 «A perda da saúde condiciona a angústia e o medo. Lembremo-nos de que todo o medo, por mais banal que seja, é o medo da morte e provocado pelo ego, uma vez que, por ter origem material, a morte implica o seu desaparecimento.

«O medo da morte deve-se a quatro fatores:

«1) A passagem da vida para a morte costuma ser incómoda, dolorosa, angustiante e de grande solidão.

«2) A morte representa uma passagem para uma zona desconhecida devido à grande ignorância existente. Pode comparar-se a pedir a uma criança que entre numa sala escura. A recusa da criança em entrar deve-se ao medo do escuro, ela não sabe o que vai encontrar e quais os possíveis perigos que existem.

«3) Com a morte, perdemos família, amigos e, claro os bens materiais pelos quais lutámos tanto e, diria mesmo, pelos quais desperdiçámos a nossa vida. Chegámos sem nada e partiremos sem nada.

«4) Temos um instinto de conservação muito forte que nos fixa e mantém na vida.

«O medo da morte só é eliminado quando temos a certeza de que a morte não é o fim, ao conhecermos a realidade da existência do ser humano. Aqueles que descobriram a sua verdadeira identidade, a Supraconsciência, consideram a morte uma libertação, ao abandonarem o traje material que é o corpo.

«Enquanto virmos a morte como uma inimiga, lutaremos sempre por evitá-la e nunca a aceitaremos. Será um tabu. Temos de estar cientes de que a morte não é o oposto da vida, mas, sim, parte dela.

«Quanto mais cientes formos da realidade da morte, mais aproveitaremos o tempo e perderemos a pressa e a aceleração, tão típicas da nossa sociedade. Aprendemos a viver sem a pressão do tempo. Não esqueçamos que o medo de morrer não é o medo da morte, mas o medo de não ter vivido. O conceito de tempo limitado que temos condiciona o medo da morte. A morte significa passar para uma dimensão onde o tempo é eternamente presente. Tiremos a máscara e vivamos intensa e autenticamente de acordo com a nossa Supraconsciência.

«Quem não descobriu a Supraconsciência é levado pela morte a um vazio total, sem identidade. Para quem conhece a sua verdadeira identidade, morrer é despertar para uma situação muito melhor.

«A morte está sempre presente, mesmo que não estejamos cientes dela.

«Compreender a morte é a maior lição que aprendemos na vida. Descobrimos que somos consciência num corpo físico temporário. Enfrentamos a vida de forma mais intensa quando estamos cientes da sua finitude.

«O medo da morte é algo irracional, dentro da ciência materialista. Como podemos considerar a morte como algo mau antes de termos passado por ela?

«O psiquiatra e psicólogo suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) exprimiu maravilhosamente o conceito de morte após vivenciar uma EQM em 1944, na sequência de um ataque cardíaco. Explicou que pensamos na morte como a coisa mais terrível porque ainda não passámos por ela: quando a experienciamos, sentimos tanta paz e bem-estar que não queremos mais sair dela (Jung, 2021).

«A declaração de Jung implica que a consciência sobrevive à morte, um aspeto que o materialismo do método científico nunca poderá definir.

«Podemos morrer conscientemente de forma criativa? Isso só é possível quando se compreende que a verdadeira natureza da realidade é a consciência, eliminando o afeto ou o apego ao material e alcançando a libertação do domínio do ego ao descobrir a Supraconsciência com o desaparecimento do dualismo.

«Os momentos finais da vida, se estivermos conscientes da realidade existencial, são enfrentados com paz, alegria e serenidade.»

(In “EGO E SUPRACONSCIÊNCIA”, de Dr. Manuel Sans Segarra, Planeta, págs. 43 a 45)

Benavente, 20.01.2026

- Victor Rosa de Freitas -



on-line
Support independent publishing: buy this book on Lulu.